Au pair en France

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terça-feira, 1 de julho de 2008

Should I stay or should I go

Eh incrivel como a vida nos ensina. Eu sempre critiquei as pessoas que estavam em outro pais e alegaram ter voltado ao pais de origem por conta da saudade. Achava uma idiotisse, uma burrice, ja que certas pessoas perderam otimas oportunidades no pais em que estavam.

Hoje vivo na pele esse sentimento de querer jogar tudo pro alto e voltar por conta da saudade, que às x acho que vai me matar. O segredo para amenizar eh evitar falar com as pessoas que me fazem mais falta. Eh como se vc entrasse numa bolha e pensasse que vc nao teve outra vida, se nao essa de agora. Mas certas vezes a bolha explode. E ai molha tudo. E ai vc se molha de tanto chorar. E quer que o mundo acabe ali. Parafraseando Rita Lee; "Pára o mundo que eu quero descer!". Eh exatamente assim que a gente se sente quando estah fora do pais. Ama tudo ao seu redor, mas quer voltar. Ai vc volta e quer voltar pro pais onde estava. Como dizem, o jardim do vizinho dah sempre mais flores do que o nosso. E a gente nunca ta satisfeito? Nao, nao eh isso. Pra explicar isso, prefiro passar à palavra ao Joao, ja que hoje recebi um email dele.

Joao eh meu querido amigo (virtual) de anos, paulista, jornalista, inteligentissimo, a quem admiro muito. Foi incrivel como parecia que ele estava aqui na minha frente, conversando comigo sobre o que senti e o que pensei hoje. O email dele caiu como uma luva. E Jo, se vc me permite, publico uma parte do seu email aqui. Ele tem muito a me ensinar e foi muito importante pra mim nesse momento. Obrigada, meu grande companheiro, pela ajuda virtual.

"Quando eu fui pra Inglaterra pela primeira vez na vida, uma das coisas que mais me impressionou era o tal do "dilema" do imigrante: devo ir ou devo ficar? Tinha a música do The Clash, o título desse e-mail - Should I stay or should I go -, (...) que era pra lá de significativa. Me lembro da casa que eu fiquei, cheia de brasileiros, que se perguntavam todo dia - o que eu faço? vou ou fico? atormentados pela saudade, atormentados pelo frio, atormentados pela falta de feijão (...) Mas eu entendia e respeitava aquilo. São decisões dificeis. São encruzilhadas que a vida te coloca, e a gente tem que decidir por si.

Eu, hoje, não teria dúvidas: se tivesse 26 anos e a posssibilidade legal de ficar na Europa, eu não hesitaria. (...) Com as mesmas condições de cidadania deles. (...)Acho que o Brasil não tem jeito. (...) Acho que isso é evidente só de olharmos algumas coisas com uma lupa - o comportamento no trânsito, na fila, o individual sendo sempre mais importante que o coletivo, etc. Eu vou pra Europa e não sinto muita falta de nada - me encanta a forma como eles conseguem viver coletivamente, ainda que pra isso tenham que ser mais racionais, mais autômatos que a gente.

Tem gente que pode te dizer ao contrário: que a Europa cheira a mofo, que no Brasil tem alegria de viver, que aqui é tropical, que o clima é legal , que a gente come melhor que eles (isso eu concordo: a gente come melhor aqui, em geral, do que na Europa - verduras, carnes, frutas -são melhores aqui), que o povo brasileiro é lindo e maravilhoso. (...)".

Entendem?? A vontade de ficar aqui eh obvia quando se pensa em salario, honestidade, seguro desemprego de 2 anos mais ajuda do governo, vida cultural de babar e qualidade de vida (vcs imaginam o que eh viver sem LADRAO? Aqui digo que nao existe. Aqui onde moro, ressalto. Nunca ouvi falar em 4 meses nessa palavra e, alias, ja ate esqueci o que significa isso!). Continuando, mas quando se pensa em mae, pai, avo, tios, amigos de anos, etc, a cabeça da uma volta de 360°.

E agora, Jose?

4 comentários:

Anônimo disse...

Uma vez eu entrevistei o Gabeira (Fernando) pra Leros. E ele disse assim: quem vive algum tempo em outro país, deixa de ser brasileiro e também não é cidadão do país que viveu. Fica assim, meio híbrido. Um cidadão do mundo.
Você experimentou o que é viver num lugar que tem as virtudes que você descreveu no seu post mas você também tem suas raízes. Sua gente. Você pode ver seu país com distância e avaliar melhor suas qualidades e defeitos. E pode ver de perto o que é ser um cidadão na Europa.
Ou seja: é uma espécie de condenação: condenado a ser brasileiro, mas nem tanto e ser francês, mas nem tanto. Uma equação que tem que ser resolvida dos dois lados, dentro de você.
Durma-se com um barulho desses !
beijo
João

Alyne disse...

Posso dizer com toda a sinceridade que não posso comentar seu post de hj. Tenho saudades de vc, mas quero que você seja feliz!!!Bjos e fica com Deus!

Anônimo disse...

LO,minha linda,minha respiração...morro de saudades,sinto sua falta(eu nunca disse isso pra vc em todo tempo q vc está aí...),mas,com todo o meu amor eu ainda acho q voce deve ficar aí,aproveitar cada segundo,aprender tudo,pelo menos até o tempo previsto.Saudade doi,mas passa.Se a gente perde as boas oportunidades q a vida nos oferece,dp fica lamentando eternamente.Te amo a cada dia mais..MOTY

Luiz Ferreira disse...

14 meses fora, vivo o seu dilema e o do Joao. O que mais me aflige é a falta de espirito coletivo do Brasil, a falta de educaçao, cabeça atrasadas no poder....Te falo uma coisa Moi: me animo a voltar nao so pela familia, isso nao enche barriga, nem da satisfaçao de realizaçao, de conquista, se eu voltar, é para fazer algo pelo Brasil, contribuir com minha experiencia, com meus idiomas, cultura adquirida. A ideia de ajudar outras pessoas e compartilhar a incrivel experiencia que tive, me ipulsiona ao brasil, so isso. Vamos ver.
té mais Moi.