Au pair en France

Au pair en France

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Querida Piaf

Esta semana a TV francesa transmitiu o filme «Piaf, um Hino ao Amor». Raramente fico até tarde na frente da televisao porque à noite procuro fazer coisas mais uteis. Mas decidi assistir um pedacinho e nao consegui parar de vê-lo. Nao foi a produçao, os atores ou outra coisa que me fez ficar vidrada no filme. Foi a historia tragica dessa talentosa cantora que me impressionou. Nunca imaginei que ela tivesse sofrido tanto na vida!

Nao sei se vocês ja tiveram a oportunidade de assisti-lo, mas foi um filme marcante para mim. Enquanto a memoria deixa, vou aproveitar para compartilhar com vocês um pouco da estoria desta mulher tao sofrida. Além de mostrar uma dura realidade, vocês aprendem um pouco mais sobre uma parte importante da cultura francesa.

Edith Piaf quando pequena vivia largada com a mae na rua, que cantava muitissimo bem. Era esse trabalho na rua que sustentava a casa. A mae cantava numa calçada enquanto Edith perambulava pelas demais ruas, longe do olhar despreocupante da genitora.

A mae abandonou-a na casa da avo, que vivia numa miseria terrivel. O pai foi embora trabalhar e largou a menina sem do, nem piedade. Algum tempo depois, o pai voltou para busca-la e foi a outra avo quem «cuidava» dela. Ela era dona de um bordel e eram as prostitutas quem tinham o maior carinho com ela. Nessa época, ela devia ter uns 4 anos.

Piaf viveu nesse meio terrivel e quase ficou cega por conta de uma doença. Quando ela começou a se adaptar com todos, o pai voltou e pegou-a de volta. Ambos foram viver em caravanas de circo, onde o pai trabalhava como acrobata e fazia dela sua empregada. Apos ser despedido, foram morar na rua, numa precaridade imensa. Primavera, verao, outono ou inverno, a pobre menina sofria como um cachorro magro pelos becos sujos. Era tratada como um lixo pelo pai, nao tinha nenhuma referência na vida e a cada vez que conseguia se adaptar, o mundo caia novamente.

Num belo (e sofrido) dia, quando Edith ja estava com 14 anos e vivendo ainda nesse caos com o pai, que ja tinha se tornado alcoolatra, ele obrigou-a a fazer algo na rua durante uma de suas apresentaçoes para ganhar mais moedas dos passantes. E eis que Edith começou a cantar. Começou ali um show à parte. Ela era o show, nao mais o pai. Aplausos, gorjetas, e finalmente o reconhecimento de pessoas, mesmo que anônimas.

Aos 15 anos largou o pai e foi cantar sozinha na rua até que um olheiro descobriu-a e a levou para cantar num bar. Apesar do talento, ganhava ainda muito pouco e morava com homens que exploravam dela e exigiam todo o seu lucro. Aos 18 teve uma filha com o primeiro namorado, mas a menina morreu aos 7 anos de meningite. Outro choque na vida da cantora, que havia deixado-a ser cuidada de qualquer jeito pelo pai, repetindo o que a mae dela ja havia feito com ela.

O tempo foi passando e empresarios foram investindo em Piaf, que era um talento nato. Edith foi fazendo sucesso, se tornou uma pessoa extremamente amarga e a cada perda de referência, caia nas drogas e no alcool. Se casou, mas vivia com amantes e com pessoas que queriam protege-la. Se tornou totalmente dependente das drogas até praticamente o fim de sua vida, quando ficou internada num hospital para se livrar deste problema.

Três anos antes de sua morte, conheceu Michel Vaucaire que compôs «Non, je ne regrette rien». Ela se apaixonou pela musica, alegando que aquela era a historia da sua vida. Esta canção foi composta em 1956, com melodia de Charles Dumont, gravada pela primeira vez em 10 de novembro de 1960.

A cantora faleceu no dia 10/10/63, aos 47 anos. Por conta da vida complicada, a cantora aparentava ter praticamente o dobro de sua idade. Neste dia, a França perdeu um pedaço de sua cultura.

Pesquisando na internet, descobri esse artigo no Wikipedia que da detalhes da estoria dela. Este sofrimento nos faz repensar na vida boa e tranquila que levamos. E muitas vezes, nao imaginamos porque certas pessoas sao tao amargas. Como ser diferente depois de levar tanta pancada? Deixo aqui a reflexao....

Um comentário:

Railane Dos Santos Barreto disse...

Olá Lo, bom dia!

o meu comentário não é pertinente ao filme, na verdade quero muito trabalhar como Au Pair na França e gostaria de saber a forma mais indicada e segura para fazer isso.