Au pair en France

Au pair en France

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

La vem ela!

Ha exatos 5 meses e 2 dias nossa bebê transformou nossas vidas. A primeira delas chama-se SONO. Essa palavra me acompanha desde entao. Mas outras palavras também fazem parte do meu vocabulario: amor incondicional, sorrisos, choros, risadas, amamentaçao, abraços, beijos, e por ai vai...

Meu tempo esta limitado, ainda nao entramos numa rotina como deve ser. O importante é que estamos com saude, apesar do cansaço.

Daqui uns dias eu volto pra contar pra voces tim tim por tim tim.

beijao.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

:)))

Ei pessoal, tem um tempao que nao passo aqui pra dar noticias, Boa parte de vocês ja sabem o porque dessa ausência! Aproveito para deixar algumas fotos que tiramos em estudio pra registrar esse momento tao importante pra nos. Ultimamente so durmo, como e espero chegar a hora! Perdi totalmente o pique, o que é normal, ne? Mês que vem volto aqui pra colocar uma foto dela! :)






terça-feira, 21 de outubro de 2014

Cortaram-a pela raiz

Ha poucos dias a TV francesa mostrou um documentario sobre a vida de Brigitte Bardot para homenagea-la pelos seus 80 anos de vida. Nunca tinha me interessado por ela, mal, mal conhecia realmente a intimidade dela. O que sabia por alto é que ela apareceu nua diversas vezes nos filmes, o que a tornou A famosinha em Saint Tropez e no mundo todo. Confesso que fiquei bem chocada. Uma historia de vida nada admiravel.... 

Bardot abusou da vida, fez coisas absurdas e hoje deseja ser respeitada pelos franceses, o que é longe de ser a realidade. Atualmente - por conta da idade - usufrui do pouco que resta. Ela conseguiu acabar com a carreira dela e terminou de bagunçar tudo quando tentou salvar sua imagem se dizendo protetora dos animais numa viagem à Antartida (foto abaixo). Conversa pra boi dormir purinha. Jogada de marketing das feias, o que piorou ainda mais a situaçao. Foi vaiada e o escambal a quatro. Na época disse: Eu dei minha beleza e juventude aos homens. Agora dou a minha sabedoria e experiência aos animais". Aham, sei... Sem nenhuma credibilidade, foi obrigada a largar as cagadas que fez durante a carreira para mudar de assunto. E deu errado.

A famosa foto "Bardot e a foca"

No fim do documentario, foi entrevistada e disse que a França de hoje nao é a mesma, que ela perdeu a sua identidade. Essa é a unica coisa que ela disse que me faz concordar com ela. E perdeu, sim.

Perdemos a França da Belle Epoque; perdemos as Piafs e demais cantores exemplares que falavam de amor; perdemos a pureza do sangue francês; perdemos a educaçao e o respeito; perdemos a tranquilidade; perdemos a gastronomia, que hoje foi substituida por congelados e industrializados; perdemos a lingua francesa, que se transformou em um poço de girias e de erros de ortografia; perdemos as tristes historias de guerras tragicas; perdemos profissionais de qualidade; perdemos a essência...

Pobre França, que hoje é obrigada a se misturar e a obedecer piamente regras e exigências de religioes e costumes vindos dos paises de lingua arabe. Pobre França, que nao sabe mais educar suas crianças... elas ja nao dizem mais Bom Dia, nem Obrigada, a nao ser quando estao na escola e sao obrigadas pelos professores. Pobre França, que hoje tem raras cançoes admiraveis. Pobre França, que coloca qualquer um e qualquer coisa nas suas cozinhas, alegando ser "Comida Caseira". Esta França engana a si mesma. Se estivesse viva, Piaf choraria.... a França virou um mundo tudo-junto-e-misturado. Perdeu suas raizes e jogou fora sua identidade. Agora é tarde demais.

Pra finalizar, Brigitte Bardot, hoje, com 80 anos.... sem mais....

Quase ela!

Ha uma semana meu professor de piano me informou do show que ele faria com uma cantora num Tributo à Edith Piaf. Fiquei logo empolgada porque esse tipo de coisa ja começa a se tornar rara. Fomos entao participar dessa experiência e babar. Ele dando um show no piano e ela na voz e na interpretaçao, tudo isso num ambiente meia-luz... francês purinho. A cada nota, a cada RRRR daqueles que so Edith Piaf sabia fazer, nos arrepiavamos. A cantora soube interpretar quase perfeitamente e isso nos deixou a impressao de que era ela mesma quem estava no placo. Algo impressionante, maravilhoso.

O repertorio foi bem variado, sobretudo com musicas esquecidas, além dos classicos como "La vie en Rose", "Non, je ne regrette rien", "Hymne à l'amour" e "Ne me quitte pas". Esta ultima musica so encontrei na voz de Jacques Brel, infelizmente. 

Nao sou nada fa da musica francesa, acho que o idioma (o R) freia o balanço das musicas e isso acaba deixando as interpretaçoes extremamente quadradas. Raras cantoras conseguiram e conseguem esticar o fim das ultimas palavras para arredondar o negocio. Edith Piaf sabia fazer isso como ninguém, evitando que a gente enjoe de tanto R e de tanta pausa. Nao que eles nao sejam talentosos, longe disso, mas nao ha swing, nao ha ondinhas, como podemos perceber nas musicas em inglês, espanhol e principalmente em português. Ja ouviram musicas em alemao, em russo, em polonês? Da vontade de chorar! Culpa dos idiomas, desculpem, feios. 

Enfim, foi uma beleza voltar ao tempo, lembrar daquela época em que a boa musica reinava. Foi bom experimentar uma boa musica francesa, ver as velhinhas na plateia encantadas, chorando de emoçao, de nostalgia. Lindo! :D

sábado, 27 de setembro de 2014

O livro e suas controvérsias

Muitas pessoas me perguntam sobre o livro "Crianças francesas nao fazem manha", de Pamela Druckerman.

 
Confesso que nunca li, mas depois deste texto abaixo fiquei curiosa. Vejam que interessante.
 
"Eu me lembro até hoje quando ouvi falar pela primeira vez do livro “Crianças francesas não fazem manha - os segredos parisienses na arte de criar filhos”, escrita pela jornalista americana Pamela Druckerman. Foi em fevereiro de dois mil e doze, bem antes dele ser publicado no Brasil. O assunto me chamou a atenção pois na época meu filho franco-brasileiro tinha quase cinco meses de idade, eu estava no auge da maternagem e fazia menos de um ano que morava na França. Comprei um exemplar, li e não gostei. O fato é que eu não acho a menor graça desta França que a autora descreve.
 
A fama que tanto o livro quanto autora alcançaram ainda me deixa desconfortável. Cada vez que uma amiga brasileira se aproxima para perguntar se é mesmo verdade que as crianças francesas são anjos na Terra, tenho vontade de chorar. Eu fico embasbacada quando leio artigos enaltecendo o estilo de maternidade proposto pela senhora Druckerman: onde os pais são extremamente egoístas e as crianças têm a obrigação de se contentarem com as sobras.
 
A visão dela como estrangeira, já que nunca teve uma família francesa, é romantizada e por isso mesmo deturpada. Ela repete incansavelmente que as crianças francesas são extremamente comportadas e jamais dão chiliques. Ok, mas a que preço? Ou algum francês vai admitir que fica entupindo o filho de pão na mesa do restaurante para ele se manter quieto e não atrapalhar? Ou que entre quatro paredes, o filho apanha a troco de qualquer motivo desenvolvendo uma relação baseada no medo?
 
Eu fico mais atônita ainda quando vejo o mesmo livro sendo endossado por pediatras e psicoterapeutas brasileiros, como se a autora tivesse descoberto a fórmula do sucesso na criação dos filhos. Ora, se os filhos são uma pedra no sapato, por que tê-los? E quer saber? Meu filho tem quase três anos e é capaz de fazer manha sim, como qualquer criança normal!
 
Toda a noção da “sabedoria francesa” com relação à criação dos filhos entrou (ainda mais) em colapso pra mim quando descobri que a França é o país onde menos se amamenta no mundo ocidental. Um dos motivos é que o marido francês geralmente considera os seios da mulher algo que lhe pertencem e também porque muitas mães francesas se recusam a amamentar, preferindo dormir a noite inteira. Conheci várias assim.
 
Eu amamentei durante treze meses e meio. E meu filho começou a dormir a noite inteira faz menos de um mês. Posso garantir que as críticas que recebi até hoje não foram poucas e olha que eu sou até uma mãe meio durona. A família do meu marido ainda tem o hábito de revirar os olhos quando descobre que escapamos do padrão ao educarmos o nosso filho, mesmo meu marido sendo francês. Eles acham um absurdo: nós perdermos meia hora para colocá-lo na cama; organizarmos nossa agenda em função da soneca da tarde; passarmos um tempo brincando com ele; eu ter deixado a minha profissão quando estava no auge da carreira, mesmo com a intenção de retomá-la assim que ele começar na escola.
 
Os franceses que a autora deste fatídico livro toma como exemplo para o mundo, os quais eu convivo, jamais vão entender por que eu fico por perto para o meu filho dormir e uso uma babá eletrônica no meu quarto para escutá-lo durante a noite. Meu sogro francês quer que eu deixe o meu filho queimar a língua com a comida pelando, ao invés de ensiná-lo a esperar a comida esfriar. E quando meu filho tinha apenas dois meses, minha sogra francesa insistia em querer largá-lo esgoelando no berço, até ele dormir.
 
Infelizmente esta é a França que observo e não admiro. Onde os pais vivem sua vida independentemente das crianças, que têm que se adaptar à rotina deles, não importa qual seja. Onde ninguém consegue a aprovação de um projeto de lei proibindo que os pais batam nos seus filhos porque a população, tão acostumada a apanhar de seus pais, acha que palmada é o único jeito de educar. Onde os adultos gritam, envergonham e menosprezam as crianças na frente dos outros para que se comportem. Infelizmente não é um país onde os pais ensinam aos filhos a “terem consciência das pessoas que os rodeiam”, como a autora do livro diz. Aqui, as crianças aprendem a se preocupar apenas consigo mesmas e, no máximo, com as pessoas bem próximas a elas.
 
Surpreendentemente, ninguém questiona o resultado da educação à francesa. A própria autora admite que os franceses são, em sua maioria, rudes e indelicados. Para quem não sabe, eles são, também, um dos maiores consumidores de anti-depressivos da Europa e possuem uma das maiores taxas de suicídio do continente. Os jovens franceses também figuram entre os que têm menos liberdade ou vontade de dialogar com seus pais.
 
É muita insensatez elogiar esse jeito francês de “fabricar” filhos obedientes sem analisar as consequências disso na vida de uma criança. E vou mais além, eu acho que a autora foi oportunista ao se aproveitar da insegurança dos novos pais americanos (e novos pais mundo afora) e contou a história pela metade: francezinhos podem até não fazer manha, mas são carentes de mais afeto.
Por que, então, aprovar e tomar como exemplo o estilo deles quando o assunto é filho? Quem disse que as crianças francesas são mais felizes do que as brasileiras? Para mim, bom senso ainda é a melhor solução para qualquer problema relacionado à educação dos nossos filhos".
 

O Brasil e os orgânicos....

Desde que cheguei aqui na Franca ouço a palavra BIO sem entender muito bem o que isso quer dizer. Na esta no dicionario, mas esta na boca do povo e nas prateleiras dos supermercados. BIO quer dizer orgânico. Frutas, legumes, cosméticos, carne, frango, suco, pao, leite, legumes congelados e por ai vai. Esses produtos fazem parte do dia a dia dos franceses e podemos escolher a dedo onde queremos comprar. No supermercado, no mercadinho especial BIO ou diretamente na fazenda do agricultor da sua cidade, por exemplo.

Os europeus, em geral, se preocupam em comer BIO por conta da saude, claro, e também preocupados em valorizar o produtor local para que ele continue nessa linha. Somente na Alemanha e na França, sao quase 25 mil agricultores que produzem alimentos orgânicos (contra 1% no Brasil).

Para se ter uma ideia do preço, uma penca de banana nao bio custa em média 0,90€, enquanto a banana bio custa 1,90€ ou até menos! Se a diferença de preço é tao pequena, porque comprar um alimento nao bio, se voce ja sabe que ele estara cheio de agrotoxico? O problema dos europeus é que as frutas e légumes nao bio vem diretamente da Espanha, lider em utilizaçao de agrotoxicos na Europa. Fujo de tudo o que vem de la! Inclusive, ja ha falta de agua por conta da necessidade abusiva da mesma para certas produçoes, como a do morango, e muitas terras ja estao inferteis. A soluçao encontrada pelos latinos, que sao malandros como os brasileiros, foi a de enviar espanhois ao Marrocos para explorar a terra deles. Daqui a pouco tempo os marroquinhos vao passar pelo mesmo problema. Ou seja, trocaram seis por meia duzia e o festival de agrotoxicos continua a todo vapor.

Aqui em casa encomendamos de produtores locais BIO. Toda segunda feira vou no site deles, seleciono o que eu quero e eles me entregam em domicilio. Pago, no maximo, 15€ por encomenda, com frete incluso. Cebola, alho, batata, cenoura, alface, repolho ralado, beterraba, geleia, torta, etc. Além de saber que tudo é fresquinho e bio, tenho o conforto de receber tudo em casa e ajuda-los a manter a produçao. Grande parte dos funcionarios dessa fazenda sao doentes mentais, que foram inclusos no mercado de trabalho. Outra realidade....

Vocês devem estar se perguntando porque estou escrevendo sobre isso. Explico: acabei de ver o jornal francês detonando o Brasil no quesito orgânico. Eles alegaram que os brasileiros nao estao nem um pouco preocupados com o consumo dos alimentos orgânicos. O que eles esqueceram de falar é que ninguém pode comprar por conta do preço absurdo. Além do mais, os agricultores brasileiros estao unicamente preocupados em inundar as produçoes de agrotoxicos e em lucrar, lucrar e lucrar.

Por ano, cada brasileiro consome 5 LITROS DE AGROTOXICOS, presentes principalmente no tomate, morango e pimentao. Eh facil criticar a populaçao quando ela nao pode fazer nada para mudar este cenario. O Brasil é O pioneiro MUNDIAL em utilizaçao de agrotoxicos. Muitos deles sao proibidos ha anos em varios paises europeus e no resto do mundo, mas no Brasil pode. Triste realidade. E o câncer esta fazendo a festa. Viva a ignorância...

Para quem interessar possa: http://namu.com.br/materias/brasil-lideranca-no-uso-de-agrotoxicos

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Breve passagem

Em breve virei aqui contar como foram as minhas ferias em Lisboa, por enquanto deixo aqui com vocês imagens de um dos 3 porcos espinhos que agora residem em nosso jardim. Esse gatinho folgado ai é do nosso vizinho de frente, mas nao sai daqui!





Minhas flores e frutas estao dando um show este ano, graças a ausência da neve:










Bom final de semana!

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Querida Piaf

Esta semana a TV francesa transmitiu o filme «Piaf, um Hino ao Amor». Raramente fico até tarde na frente da televisao porque à noite procuro fazer coisas mais uteis. Mas decidi assistir um pedacinho e nao consegui parar de vê-lo. Nao foi a produçao, os atores ou outra coisa que me fez ficar vidrada no filme. Foi a historia tragica dessa talentosa cantora que me impressionou. Nunca imaginei que ela tivesse sofrido tanto na vida!

Nao sei se vocês ja tiveram a oportunidade de assisti-lo, mas foi um filme marcante para mim. Enquanto a memoria deixa, vou aproveitar para compartilhar com vocês um pouco da estoria desta mulher tao sofrida. Além de mostrar uma dura realidade, vocês aprendem um pouco mais sobre uma parte importante da cultura francesa.

Edith Piaf quando pequena vivia largada com a mae na rua, que cantava muitissimo bem. Era esse trabalho na rua que sustentava a casa. A mae cantava numa calçada enquanto Edith perambulava pelas demais ruas, longe do olhar despreocupante da genitora.

A mae abandonou-a na casa da avo, que vivia numa miseria terrivel. O pai foi embora trabalhar e largou a menina sem do, nem piedade. Algum tempo depois, o pai voltou para busca-la e foi a outra avo quem «cuidava» dela. Ela era dona de um bordel e eram as prostitutas quem tinham o maior carinho com ela. Nessa época, ela devia ter uns 4 anos.

Piaf viveu nesse meio terrivel e quase ficou cega por conta de uma doença. Quando ela começou a se adaptar com todos, o pai voltou e pegou-a de volta. Ambos foram viver em caravanas de circo, onde o pai trabalhava como acrobata e fazia dela sua empregada. Apos ser despedido, foram morar na rua, numa precaridade imensa. Primavera, verao, outono ou inverno, a pobre menina sofria como um cachorro magro pelos becos sujos. Era tratada como um lixo pelo pai, nao tinha nenhuma referência na vida e a cada vez que conseguia se adaptar, o mundo caia novamente.

Num belo (e sofrido) dia, quando Edith ja estava com 14 anos e vivendo ainda nesse caos com o pai, que ja tinha se tornado alcoolatra, ele obrigou-a a fazer algo na rua durante uma de suas apresentaçoes para ganhar mais moedas dos passantes. E eis que Edith começou a cantar. Começou ali um show à parte. Ela era o show, nao mais o pai. Aplausos, gorjetas, e finalmente o reconhecimento de pessoas, mesmo que anônimas.

Aos 15 anos largou o pai e foi cantar sozinha na rua até que um olheiro descobriu-a e a levou para cantar num bar. Apesar do talento, ganhava ainda muito pouco e morava com homens que exploravam dela e exigiam todo o seu lucro. Aos 18 teve uma filha com o primeiro namorado, mas a menina morreu aos 7 anos de meningite. Outro choque na vida da cantora, que havia deixado-a ser cuidada de qualquer jeito pelo pai, repetindo o que a mae dela ja havia feito com ela.

O tempo foi passando e empresarios foram investindo em Piaf, que era um talento nato. Edith foi fazendo sucesso, se tornou uma pessoa extremamente amarga e a cada perda de referência, caia nas drogas e no alcool. Se casou, mas vivia com amantes e com pessoas que queriam protege-la. Se tornou totalmente dependente das drogas até praticamente o fim de sua vida, quando ficou internada num hospital para se livrar deste problema.

Três anos antes de sua morte, conheceu Michel Vaucaire que compôs «Non, je ne regrette rien». Ela se apaixonou pela musica, alegando que aquela era a historia da sua vida. Esta canção foi composta em 1956, com melodia de Charles Dumont, gravada pela primeira vez em 10 de novembro de 1960.

A cantora faleceu no dia 10/10/63, aos 47 anos. Por conta da vida complicada, a cantora aparentava ter praticamente o dobro de sua idade. Neste dia, a França perdeu um pedaço de sua cultura.

Pesquisando na internet, descobri esse artigo no Wikipedia que da detalhes da estoria dela. Este sofrimento nos faz repensar na vida boa e tranquila que levamos. E muitas vezes, nao imaginamos porque certas pessoas sao tao amargas. Como ser diferente depois de levar tanta pancada? Deixo aqui a reflexao....

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Vapt, vupt

Dei uma abandonada porque estou de ferias desde o inicio do mês. Nesse meio tempo irma e sobrinhos ja vieram passar 15 dias comigo, e aproveito também para curtir o sol, o lago, a praia artificial, piscina. Tudo o que é a cara do verao.

Daqui uns dias vamos passar uma semaninha em Lisboa para conhecer o país dos nossos conterrâneos. Parece que é bem bacana por la.

No mais, nenhuma novidade, a nao ser que a piadinha dos 7x1 do BR e Alemanha ainda nao tiveram fim.

Beijo grande.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Jeitinhos brasileiros

Pois é, pensei que a Copa do Mundo fosse ser mais tragica do que esta sendo no quesito violência, a nao ser que a midia esteja escondendo a realidade pra nos. Fiquei com medo dos anti-copa terrorizarem os estadios, sei la mais o que.

Por aqui, a frieza reina, como sempre. Em dias de jogos da França nao ouvi nem um pio, vi UMA bandeira da Franca no vilarejo inteiro, nas lojas nao se vê o branco, vermelho e azul, cores da bandeira francesa. Pelo contrario, as lojas estao todas verde e amarelo e a cada 10 crianças na rua com camisa de time de futebol, 9 estao vestidas com a camisa do Brasil. Tenho a impressao que os estrangeiros estao doidos que o Brasil ganhe mesmo.

Nunca tinha encontrado nada do Brasil, antes da Copa. Agora tenho guardanapo, copos de vidro, camisa, canudos (!!!), cueca, short, camisola, bolsa, calcinha, TUDO com a nossa bandeira estampada. Poucos dias depois que cheguei na loja, nao tinha mais nada!! Impressionante!!

Pra continuar falando disso, encontrei aqui na net a lista das 10 coisas que os estrangeiros mais gostaram no Brasil, e que poderiam ser exportadas pelo mundao afora. Aqui esta a materia na integra.

1 - Festas

As festas no Brasil podem até começar mais tarde, mas com certeza duram mais. Em países da Europa e América do Norte, há leis contra vender bebidas alcoólicas depois de determinado horário. Há bares que abrem a partir das 2h, por exemplo, mas esses são bem mais caros.

–Eu adoro o horário das festas no Brasil, em que se volta para casa às 6h ou 7h da manhã. Na Grã-Bretanha, os pubs fecham às 23h ou 24h. Todos bebem o máximo possível até esse horário e ficam bêbados demais – comenta Harriet Francis, 32 anos, advogada.

– Achamos ótimo não ter que se apressar para beber até as 22h45min, como nos pubs britânicos. A única maneira de continuar a noite é ir a uma boate, onde as bebidas são mais caras e muitas vezes se cobra pela entrada – observa Christine Gaylarde, aposentada, 65 anos.

2 - Abraço

O abraço entre amigos ou até desconhecidos foi lembrado por muitos estrangeiros, dos mais diversos países.

– É muito comum esse hábito no Brasil. Tem o abraço entre homens e o abraço mais carinhoso, com as mulheres. Na França, é muito raro, talvez apenas entre a família. Gostei disso. Pode parecer insignificante, mas muda bastante as relações entre as pessoas, seja entre familiares, amigos ou desconhecidos. Quando voltei para a França, abracei meu pai, e ele estranhou – diz Boris Pravda-Starov, 25 anos, estudante, que morou em Porto Alegre.

– O abraço é muito bom. Ele pode melhorar as relações entres as pessoas. Os chineses não costumam demonstrar emoções, especialmente no que se refere à linguagem corporal: ninguém se abraça nem aperta a mão. É uma grande diferença – comenta Liu Da, estudante chinês, chamado de Miguel no Brasil.

3 - Atendimento

Um dos pontos em que houve mais discórdia entre os entrevistados foi o atendimento ao cliente. Britânicos e franceses, por exemplo, não gostam de ser abordados por atendentes em lojas ou supermercados.

Entretanto, o italiano Alessandro Andreini, 40 anos, conta que uma das frases que mais gostou de ouvir em toda a sua vida foi “Você encontrou tudo o que procurava?”, dita pelo caixa do supermercado. Franco Luis Scandolo, 26 anos, argentino que morou na Itália, também ressaltou esse exemplo.

– O atendimento é um ponto forte do Brasil e se destaca pelo profissionalismo e cordialidade – opina ele.

4 - Jeitinho brasileiro

O tão comentado jeitinho brasileiro não fica de fora dessa lista. Latino-americanos, europeus e um sul-africano ressaltaram o lado bom dessa característica.

– Os brasileiros sempre acreditam que há um caminho para se fazer alguma coisa, e isso os leva adiante – aponta Werner Trieloff, 29 anos, contador sul-africano.

– Quando meus pais me visitaram no Brasil, pude perceber melhor como os europeus realmente se estressam quando algo dá errado. Já os brasileiros ficam tranquilos – conta a estudante Ana González, 22 anos, da Espanha.

O filósofo americano Allan Taylor, 26 anos, resume:
– O jeitinho brasileiro explica o sucesso de quase todo brasileiro no Exterior. A improvisação é a grande arte do brasileiro. Na música, por exemplo, como no chorinho ou no samba, há muito espaço para improvisar. Acho que é por isso que o americano não sabe dançar samba nem jogar futebol.

5 - Compartilhar bebidas

Outro costume do Brasil que poderia ser exportado é o hábito de compartilhar bebidas.

– Compartilhar a cerveja, a caipirinha ou o chimarrão diz muito sobre a generosidade do brasileiro. No início, eu tive dificuldade de me acostumar a isso. O guatemalteco se serve no copo e gruda a mão nele até beber tudo – relata Martin de León McMannis, 22 anos.

Na primeira vez em que veio ao Brasil, a francesa Mathilde le Tourneur du Breuil, 32 anos, passou por um constrangimento por não conhecer esse costume:
– Eu estava com uma amiga francesa e nos deram um copo de caipirinha, numa festa. Nós pensávamos que era só para nós. Muito tempo depois percebemos que era para todos – lembra a professora de francês, hoje moradora de Porto Alegre.

– É um hábito bem legal, que funciona tanto com a cerveja, comprada para todos, quanto com o chimarrão – acrescenta ela.

6 - Estrangeiros são bem tratados no Brasil

A alemã Katharina Ockert, 25 anos, estuda na Unisinos. Apaixonada pelo Brasil, “apesar da grande pobreza e criminalidade”, e fã de vários costumes nacionais, ela avalia que os estrangeiros são bem tratados aqui e que os brasileiros esbanjam disposição na hora de ajudar:
– Lembro uma vez em que eu estava no centro, procurando um banco para retirar dinheiro e pedi informações para uma mulher na rua. Pensei que ela talvez poderia me explicar o caminho, mas ela pegou minha mão e me levou até dentro do banco! Fiquei muito feliz de receber uma ajuda tão legal.

A francesa Clémentine Athanasiadis, 19 anos, ressalta a importância dessa característica:
– Todos foram muito receptivos desde que eu cheguei à PUCRS. Isso é muito importante para os estrangeiros, porque nos sentimos um pouco perdidos no começo. As pessoas sempre me dão informações. Com um sorriso no rosto.

7 - Higiene

Os hábitos de higiene dos indígenas surpreenderam os europeus quando chegaram ao Brasil. Não se pode dizer que ainda se toma banho como os nativos do Brasil faziam naquela época, mas essa característica é uma das 10 coisas da qual Graham Gertz-Romach, britânico casado com uma gaúcha, que viveu por 21 anos no Brasil, sente saudades:
– Os brasileiros são muito limpos. Você não encontra tantos americanos ou pessoas do norte da Europa que tomem um banho por dia e escovem os dentes depois de cada refeição.

A francesa Nathalie Touratier, 25 anos, também percebeu isso:
– Eu fiquei surpresa ao ver todos os meus colegas de trabalho escovarem os dentes depois do almoço. É um hábito muito legal. Os franceses, quando estão no trabalho, geralmente mascam chicletes depois do almoço.

8 - Exercícios

Algo impressionante para estrangeiros das Américas e da África do Sul é a prática de exercícios físicos e o cuidado com a boa forma. Mas só é exemplo se não for excessivo, comenta Matthew Bender, 30 anos, tradutor, morador de Porto Alegre há cinco anos:
– A qualquer hora da noite ou do dia, você vê pessoas caminhando, correndo, jogando bola ou andando de bicicleta. Os brasileiros são muito ativos nos esportes, seja em busca de saúde, seja em busca de beleza.

A estudante Elia Arévalo, 24 anos, da Nicarágua, concorda:
– Acho ótimo quando fecham ruas para as pessoas se exercitarem nos finais de semana. Essa inquietude de se exercitar precisa ser exportada para vários países da América Latina.

O boliviano Mauricio Uriona considera que “o culto ao corpo” algo bom, não importa se por motivos estéticos ou de saúde:
– No meu país as pessoas não cuidam de seus corpos.

9 - Carona

O engenheiro francês Manuel Gourmand, 24 anos, não teve dúvidas ao dizer qual é seu costume brasileiro preferido: o de dar (e receber) carona. A prática pode ser planejada por telefone ou mesmo nos bares ou restaurantes, quando se oferece uma carona inclusive para alguém que acabou de se conhecer.

– É uma coisa tão simples, e que, no entanto, não vi pela Europa. Lá cada um pega seu carro, e quem não tem carro, vai a pé. Mesmo se as pessoas vão para lugares muito próximos – explica Gourmand, que atualmente está em Passo Fundo.

– Na Europa isso não ocorre lá nem entre colegas. Ninguém pensa nessa possibilidade.

10 - Almoço
O almoço como principal refeição do dia é um exemplo para um britânico, um holandês e uma neozelandesa.

– Meu país poderia se beneficiar desse hábito. Os kiwis (neozelandeses) tendem a engolir um sanduíche à mesa do trabalho, e ter uma refeição pesada à noite. Mas um jantar mais leve é muito mais saudável – comenta Victoria Joy Winter, 28 anos, analista de marketing e moradora de Porto Alegre.

Um sanduíche no almoço e um lauto jantar também é algo comum na Holanda.

– Aqui é bom porque geralmente se come algo aquecido no almoço. Eu também gosto do bufê a quilo e rodízio – diz o estudante Marnix van.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Férias light!

Desde algum tempo Bruno vinha me pedindo pra passar férias em um barco. Eu sempre deixava a ideia de lado e mudava de assunto. Até que um dia, na casa de amigos, ele propos que eles viessem conosco e eles se empolgaram. Bom, pra nao fazer a "do contra", aceitei a ideia e disse que eles deveriam se virar na escolha do barco, do trajeto e, claro, que eles ficassem por conta da abertura das vaaaaaaaaaarias eclusas que iamos encontrar pelo caminho.

Obvio que eles concordaram porque o Georges (o nosso amigo) foi marinheiro durante muitos anos e tinha um barco-restaurante com sua esposa. Eles eram catedraticos no assunto e o prazer da vida do Georges era navegar. Eles escolheram o barco, alugaram e marcaram a data. Aproveitei uns dias de folga e fomos passar 7 dias no barco, do dia 3 ao dia 9 de maio. Pegamos o barco num porto ha uma meia hora daqui. Nosso trajeto era somente nos canais aqui da regiao.

Fizemos compra e preparamos bolo, pao, sobremesa e tudo o que vocês podem imaginar pra termos menos trabalho. Um dia antes da viagem eu passei um dia inteiro na cozinha pra nao esquecer de nada, ja que uma vez dentro do barco seria tarde demais!

Nosso barco tinha 11 metros de largura, dois quartos, cozinha, sala e banheiro

A medida que a gente navegava, iamos relaxando, nao pensavamos em nada! No telefone, no televisao, no stress! A gente so ouvia o barulhos dos passarinhos e babava de ver a natureza tao linda!







Quanto mais vivo aqui, mais me dou conta da infra-estrutura que temos. Na maior parte dos portos (que sao minusculos pros canais, claro) temos essas "estaçoes" pra termos luz e agua (foto abaixo). Pagamos uma miseria, mais ou menos 2 euros pra 3 horas de luz a 220V. Podemos usar a eletricidade do barco porque a bateria recarrega e a agua esquenta quando o barco navega, mas a noite o Georges usava um aparelho pra apneia e precisavamos ter 220V. 

O barco tinha 2 barris de agua, cada um de 80 litros de agua. Entao todos as noites a gente enchia-os novamente, também pagando baratinho. Alguns portos cobram uma taxa, tipo 10 euros, e a gente tem direito à eletricidade a noite toda e a tomar banho nos banheiros construidos no porto. Ou seja, isso evitava que consumissemos a agua do barco. 


A foto abaixo mostra o que chamamos de Plano Inclinado. Chega a ser um ponto turistico aqui na regiao. Eh como se fosse um elevador pro barco descer ou subir. La em cima, no predio branco o barco entra e a foto mostra o elevador ja embaixo. No site deles da pra entender melhor o que to explicando.


Uma das eclusas. Bruno e Georges tinham o trabalho de jogar a corda, prender o barco e segura-lo até que a eclusa fechasse ou abrisse. E eu? Eu so olhava... hahah! Aprendi até a tricotar com a Lili, esposa do Georges. O vida dificil!

Olha a minha pessoa folgadééézima!

De manha a gente navegava e ao meio dia paravamos sempre em um acostamento pra fazer um churrasquinho com a minha mini churrasqueira. Depois voltavamos a navegar e a noite paravamos num porto pra dormir. Depois do jantar jogavamos jogos de tabuleiro até dar sono... Quer vida mais dificil que essa?

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Paul Cézanne

E eis que até o Cézanne entrou nas piadinhas da internet. Pra quem nao conhece o Instagram, é uma "rede social" de fotos, se posso explicar assim. Como todo mundo vive postando foto dos pratos que fizeram ou dos pratos que estao comendo, fizeram a mesma piadinha com o falecido e talentoso pintor francês Paul Cézanne! Na casa-museu dele podemos ver essas frutas (de cera) que estao nas telas dele, assim como os objetos que ele utilisava também para pintar seus quadros, como esta garrafa e a fruteira.

 
Vejam a tela original do pintor, "Cesto de Maças" ("Panier des Pommes", 1890-94):
 

Pascoa francesa

Acho engraçado que cada pais tenha sua tradiçao nas festas, seja ela Natal, Ano Novo ou Pascoa, por exemplo. A decoraçao muda, os pratos mudam, a maneira de comemorar muda. Enquanto ai em Vitoria todo mundo come torta capixaba na Pascoa, aqui eles comem cordeiro.

O tal ovo de Pascoa que a gente tanto preza por ai, aqui nao tem valor. As crianças querem ou coelhinho de chocolate ou ovinhos de chocolate ou cordeiros de chocolate. O unico ovo que tem na prateleira é o do Kinder Ovo.

Me lembro que nos supermercados de Vitoria eles faziam (fazem ainda?) um tunel de ovos de chocolate! Aqui tudo é colocado nas prateleiras, assim, sem graaaaaaaça.... Este ano, pela primeira vez, ganhei um cordeiro de chocolate e outro de bolo. Nos supermercados a gente encontra fôrmas de cordeiro pra fazer esses bolos. Nao sei se é a tradiçao da minha regiao ou se na França todo mundo faz isso. Outra tradiçao na Pascoa é de cozinhar ovos de galinha e pinta-los com uma tinta especial. As crianças se divertem fazendo isso! A caça aos ovinhos também é uma tradiçao de muito tempo!

Este foi o presente de Pascoa que ganhei da minha vizinha: um cordeiro de chocolate, ovinhos de chocolate, os 2 ovos de galinha metalicos que foram pintados e um porta-chave de galinha.
 

 
Pra agradecer a vizinha e a outra que me deu o bolo de cordeiro, fiz um presente feito à mao. Peguei uma caixa de ovos e coloquei ovos de chocolate dentro:
 
(parte interna, sem a galinha, claro)
 

 
Bom fim de semana pra vocês, com direito a flor da primavera que invade nosso jardim (causando às vezes uma bela de uma alergia pra alguns!):
 

Prefeitura parte 2

Espero que vocês tenham tido um bom feriado de Pascoa. Como de praxe fui pra casa da minha irma na Alemanha, que agora fica somente a 400km daqui. Sao 4h30 de viagem pela autoestrada alema, que nao tem limite de velocidade...

Entao, vou continuar contando como foi o primeiro dia oficial da nova equipe (sabado), um dia depois da posse, realizada na sexta-feira à noite. Chegamos na prefeitura às 9h da manha. Tava todo mundo so o bagaço da laranja de tao cansado! Ha 15 dias corriamos de um lado pro outro pra fazer campanha, bolar estratégias, etc. E finalmente estavamos aliviados de nao vermos mais a cara do antigo prefeito (que era um senhor-jararaca sacana e mal amado por muitos).

Começamos a trocar todas as fechaduras porque dizem as mas linguas que o ex-prefeito tinha nao sei quantas copias das chaves de la. Os vereadores dele nao tinham um pingo de autoridade porque ELE mandava em todos e concentrava todo o serviço pra ELE fazer. Gritava com eles e proibiam-os de entrar em alguns cômodos da prefeitura. So por ai vocês tem noçao do velhote mala que ele é. Se ele estava no escritorio dele e ia ao banheiro, ele trancava a porta da sala dele. Pode isso? O cara é James Bond 007 ou o que???

Vocês imaginam entao a curiosidade do pessoal de entrar justamente nessas 'salas secretas' do ex-prefeito. Todo mundo correu pra abrir as portas e, claro, choravamos de rir porque sabiamos que ia ser como descobrir a caverna do Ali Baba! No segundo andar, onde nenhum vereador tinha botado os pés até entao (!!!!!!!!!), com exceçao do velho rabugento, os atuais vereadores se precipitavam pra ver o que tinha la em cima!!! Surpreeeesa!!! A esposa do atual prefeito, que era uma dessas vereadoras traumatizadas e mal tratadas pelo velhote, foi a primeira a subir, felizinha da vida!! Agora eu posso, disse ela! Hahahah!

Chegando la em cima, três cômodos e muuuuuito acaro e poeira! Pensei comigo: to frita, minha alergia vai me atacar agora! Mas eu estava mais preocupada em descobrir o que tinha la do que em ficar doente, assim como os demais! As janelas estavam fechadas ha uns 4 anos, quando uma senhora que morava la em cima (era alugado pra ela) faleceu. Resultado: a gente se sentia num castelo mal assombrado porque tinha aranha no teto e nas janelas. Começamos a futucar tudo e encontramos uma tela com o retrato de um arcebispo que ja morreu ha no minimo uns 80 anos!! Descobrimos plantas da cidade feitas à mao com caneta tinteiro!! Descobrimos documentos da época em que a cidade ainda pertencia à Alemanha, na época das guerras, com o simbolo nazista!! Caramba, foi como se eu tivesse entrado num tunel do tempo e revivido tudo aquilo com eles! Descobrimos livrinhos da cidade com foto dos filhos dos atuais vereadores quando ainda eram crianças e hoje ja sao adultos!! Muito bacana!!

Pra relembrar vocês, a minha regiao foi alema e francesa três vezes! Praticamente todas as pessoas de idade e seus filhos, hoje adultos, falam alemao por conta disso. A Alsácia-Lorena (Alsace-Lorraine, em francês) é um território de população germânica, originalmente pertencente ao Sacro Império Romano-Germânico, tomado por Luís XIV da França depois da Paz de Vestfália em 1648. Depois foi devolvido pela França à Alemanha recém-unificada, conforme o Tratado de Frankfurt (10 de Maio de 1871), que encerrou a Guerra Franco-Prussiana. Depois foi retomado pela França após a Primeira Guerra Mundial, nos termos do Tratado de Versalhes, de 1919. Depois foi anexado pelo Terceiro Reich alemão em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, e finalmente foi retomado pela França em 1945.

O território, atualmente chamado Alsácia-Mosela, compreende os departamentos do Alto e do Baixo Reno (formando a Alsácia) e o departamento do Mosela (que forma a parte oriental da Lorena, incluindo a cidade em que moro). A região de Alsácia-Lorena foi alvo de tensão entre as relações germano-francesas até a dissolução do Terceiro Reich em 1945. A anexação prussiana da região após a Guerra Franco-Prussiana foi um dos motivos que levaram a França a declarar guerra contra o Império Alemão em 1914.

Qualquer hora volto aqui pra contar sobre o sofrimento dos moradores da regiao na época das guerras. Quando a regiao voltava a ser alema, eles eram obrigados a serem alemaes, quando a França tomava de volta, eram obrigados a voltarem a ser franceses.... uma confusao....

Depois dessas descobertas, mudamos varios moveis de lugar, demos faxina e jogamos muita coisa fora, e finalmente demos cara de nova prefeitura, nova equipe, novas ideias! :) No salao de festas da prefeitura (aqui na França todas tem uma), fomos igualmente ver o segundo andar e descobrimos também coisas bacanas e historicas, mesmo que nao tao antigas. Um dos atuais vereadores, que deve ter uns 36 anos, chorou ao ver os moveis que estavam na escola quando ele ainda era criança, por exemplo aquelas mesas-cadeira grudadas, onde duas crianças se sentavam uma ao lado da outra. Perguntei pra ele se ele lembrava que a gente colava chiclete em baixo dessas mesas pra pregar a cola da prova, hahha! Ele encontrou também uma grade que ficava na saida da sala de festas, onde ele e os amigos ficavam sentados ou escorados durante horas pra conversar fiado quando eram crianças. Foi uma experiência muito bacana vivenciar esse tipo de coisa.

Pra terminar, encontramos na propria prefeitura um Minitel, pequeno terminal de consulta de banco de dados comerciais existentes nos Correios, nas Telecomunicações e nas Teledifusões existentes na França. Ele havia sido lançado em 1982!

 
Espero que tenham gostado de viajar comigo nesse tunel do tempo!
 
Ps: depois dessa aventura minha alergia atacou por conta da poeira e dos acaros no segundo andar da prefeitura! mas valeu! :)


sexta-feira, 11 de abril de 2014

Bleu, blanc et rouge!

Ultimamente tenho tido novidades pra contar pra vocês. A mais nova delas é que Bruno é o mais novo vice-prefeito do vilarejo em que moro. Tudo começou no verao passado, quando descobrimos que o atual prefeito em 2013 (que estava no cargo desde 1977!!!) nao iria mais se candidatar. Também pudera, o cara foi prefeito durante 36 anos, ja estava na hora de passar o bastao. E entao Bruno começou a conversar com nosso vizinho e propos que ele fosse prefeito. Riamos muito dessas conversas e deixavamos sempre pra la, tudo nao passava de piadinhas. Até que em janeiro deste ano levamos o papo a sério e eles foram procurar pessoas do vilarejo que topariam fazer parte da equipe. Convida um aqui, outro ali, um aceita, outro rejeita e... pimba! A equipe se formou e as ideias sairam da cabeça e foram pro papel!

Antes de continuar, vou explicar pra vocês como funciona a eleiçao para prefeito aqui. Se a cidade tiver menos de 1000 habitantes, como é o nosso caso (o meu vilarejo tem 450 habitantes), a quantidade de 'vereadores', que chamamos de conselheiros, é proporcional à quantidade de habitantes. Pra nos foram 1 prefeito, 1 vice prefeito e 9 conselheiros. Ou seja, uma equipe de 11 pessoas. A equipe adversa idem.

O cidadao nao vota no prefeito, ele vota na equipe inteira (o que chamamos de lista) ou em 11 pessoas, no total, de 2 listas: por exemplo, 4 candidatos da lista A e 7 candidatos da lista B. Isso, misturado assim. Se tivessemos 6 listas candidatas, o cidadao poderia escolher 11 candidatos ao todo, um pouco de cada lista. Mas isso so vale pras cidades que tem menos de 1000 habitantes. Nas demais cidades, o cidadao é obrigado a votar na lista inteira, ele nao pode escolher pessoas de varias listas.

Como isso é feito na pratica? Se voce for votar na lista inteira, ou seja, nos 11 candidatos da lista A: voce pega o papelzinho da lista A (onde tem em negrito e fonte maior o nome do candidato a prefeito e dos conselheiros) e coloca na urna. Se voce for votar somente na lista B, idem. Se quiser misturar, voce pega o papelzinho da lista A, risca por ex 3 nomes, coloca na urna, pega o papelzinho da lista B, risca 8 nomes, e coloca na urna. Voce, neste caso, votou em 11 pessoas, 8 da lista A e 3 da lista B, totalizando 11 pessoas. Complicado, nao?

Para as eleiçoes municipais nao ha propaganda eleitoral na televisao. Cada lista inventa sua propria propaganda (folhetos ou seja o que for) e vai distribuir. Nos fizemos flyers com a foto dos candidatos, indicando o nosso vizinho como prefeito, Bruno como vice-prefeito, e os demais como conselheiros, além das propostas. Eh assim que a gente apresenta pra populaçao pra que eles saibam quem sera o possivel prefeito daquela lista. Fomos distribuir panfletos em todas as caixas de correio do vilarejo e durante uma semana Bruno e o vizinho foram fazer o porta a porta. Se apresentar e pedir voto.

O primeiro turno foi no dia 23 de março e estavamos confiantes que a lista inteira de Bruno ia ganhar. O stress, na verdade, é quando as pessoas das listas se misturam, pois trabalhar com a oposiçao é dose! Balde de agua fria! 5 pessoas da lista de Bruno foram eleitas (dentre elas o vizinho), além de 4 pessoas da lista adversaria. Bruno nao foi eleito por 2 votos! O desespero foi total porque o vizinho queria de todo jeito que Bruno fosse eleito no segundo turno!

Estrategicamente, como funciona o segundo turno? Bem, como 9 pessoas tinham sido eleitas, faltavam 2 para completar 11 e formar uma equipe mixta, ja que muitos eleitores votaram em candidatos das listas A e B. Como nenhuma das 2 listas inteiras foram eleitas, membros eleitos das 2 equipes iam ter que trabalhar juntos, na marra! Entao para o segundo turno, realizado no dia 30 de março (no domingo seguinte ao primeiro turno), os eleitores deveriam votar somente nessas duas pessoas que faltavam para completar a equipe de 11, ja que 9 haviam sido eleitas.

Estrategicamente as equipes deveriam indicar no papelzinho da urna 2 nomes para que proporcionalmente fosse mais facil dos 2 serem eleitos, ao invés de colocar o nome de todos os que nao haviam sido eleitos, entenderam? E no caso da lista A, foram indicados o nome de Bruno e de um outro candidato a conselheiro. A equipe adversa fez o mesmo.

No dia 30 de março, ao fim das eleiçoes (18h em ponto), fomos na prefeitura para assistirmos à contagem dos votos. Tava super concorrido, mas no final das contas, Bruno e o parceiro foram eleitos! Nossa, que alivio! Eles tiveram mais votos do que a candidata a prefeita da equipe adversaria! Foi uma vitoria! Agora temos 7 pessoas da lista A e 4 da lista B eleitos, formando evidamente uma so equipe.

O prefeito que estava no cargo ficou até sexta-feira, dia em que fez uma reuniao aberta ao publico para a eleger o futuro prefeito e vice-prefeito. Nesta reuniao, o ele anunciou a eleiçao aos 11 eleitos, que votaram secretamente no futuro prefeito. Aberto os envelopes, 7 pessoas votaram no meu vizinho e 4 votaram branco (piada, né?). Depois ele perguntou aos 11 quem gostaria de se candidatar a vice-prefeito. Bruno se candidatou e la foram os 11 votar no vice. Sete votos para Bruno e 4 brancos. A partir dai, o prefeito passou o bastao ao vizinho, eleito futuro prefeito, e à Bruno. "Vive la Republique Française!", fim do stress! ;)

Esta semana preciso contar pra vocês como foi o primeiro dia de trabalho deles. Foi uma piada atras da outra! Bom fim de semana!

Na foto abaixo, os eleitos (os 3 'brancos' sao da equipe B e os 5 'amarelos' sao da equipe de Bruno). Um dos eleitos da equipe B estava ausente: